quarta-feira, 30 de março de 2011

Jobson. Uma aula de como tentar jogar a carreira fora.


Texto de Cosme Rímoli
Poucos jogadores de futebol, no final de suas carreiras, podem olhar para trás e pensar: 
"A vida me deu várias chances".
Este não será nunca o caso de Jobson.
Atacante rápido, ousado, atrevido.
Surgiu como grande esperança no Brasiliense.
O ex-senador Luís Estevão, dono do clube, viu nele a possibilidade de fazer muito dinheiro.
Mas logo Jobson se mostrou muito atraído pelas tentações da vida.
Mulheres, bebidas, noitadas, punições e fugas para o Pará, onde nasceu e tem família.
Logo as situações ficaram repetitivas, rotineiras.
Luís Estevão se cansou, mas não queria perder dinheiro.
Tratou de emprestá-lo para o mais longe que conseguiu.
E lá foi Jobson jogar na Coréia do Sul, no Jeju United.
Não se acostumou à rigidez oriental.
E muito menos os coreanos se adaptaram ao brasileiro e seus atrasos.
Trataram de devolvê-lo.
Foi quando o Botafogo acabou o levando.
Rio de Janeiro...
Time grande, torcida, dinheiro no bolso.
Noitadas...
Se Jobson logo chamou a atenção de todos no Botafogo: pelos gols e pelas baladas e baladas.
Os jogadores faziam rodízio para sair com ele.
Ninguém suportava o seu ritmo forte.
Os atrasos já começavam a incomodar, quando ele foi pego no antidoping.
A substância apontada foi cocaína.
Um dia, ele disse que a consumiu pura.
No outro, ela chegou ao seu organismo graças ao crack.
Não importa.
Estava negociado com o Cruzeiro quando estourou o escândalo.
Tudo foi desfeito.
Foi suspenso por dois anos.
Dois anos...
Mas o destino o ajudou e a pena caiu para apenas seis meses.
Uma oportunidade de ouro para se recuperar.
Voltou ao Botafogo.
Mas nem Joel Santana, com toda a sua paciência suportou os atrasos, a volta às noitadas de Jobson.
Gastou saliva tentando convencer o atacante a se levar a sério.
Se cansou.
E logo o Atlético Mineiro surgiu e o levou emprestado.
Com a saída de Tardelli e Obina, a diretoria acreditou que o jogador teria todo o espaço para atuar.
Só que não contavam com a seriedade de Dorival Júnior.
Com ele, Jobson não seria tratado como um menino levado.
Pelo contrário.
O técnico, que sabia de toda a história do atleta, foi direto.
Ou ele se enquadraria ao clube e seria seu titular ou ficaria de lado.
Jobson não teve espaço e nem companhia para aprontar.
Dorival Júnior conseguiu montar um grupo consciente e disciplinado.
O time recebe em dia.
Mas sabe que não há espaço para indisciplina ou falta de entusiasmo.
Jobson se viu isolado, pressionado.
E sem ninguém para o mimar, como acontecia nos tempos do Brasiliense, do Botafogo.
Nem mesmo sua mãe, dona Lourdes, que perdeu oito quilos por sofrimento...
Enquanto durou a suspensão do filho por uso de cocaína...
É a única pessoa no mundo que não acredita que ele tenha usado drogas...
Mesmo diante da confissão do atacante...
Coisa de mãe...
Quem tem sabe o que é...
Jobson pediu para sair do Atlético Mineiro.
Alegou falta de adaptação.
Dorival Júnior não moveu uma palha para segurá-lo.
O treinador sabe quanto tempo perdeu tentando convencê-lo a se dedicar à carreira...
A direção do Atlético Mineiro o quer devolver.
O Botafogo não o deseja de volta.
Situação absurda, criada pela falta de responsabilidade, amor à profissão de um jogador.
Mas o destino parece não se cansar de Jobson.
Empresários o estão oferecendo ao Palmeiras.
Felipão já disse uma vez que gostaria de ter o atleta.
Que o endireitaria.
As negociações mal começaram.

Pode ser que não dê em nada.
Mas só o interesse do Palmeiras recoloca o interesse de outras equipes em Jobson.
Realmente, ele nunca poderá reclamar de falta de oportunidade na vida, na carreira.
Que pense agora.
Tem 23 anos e a história de um jogador veterano, problemático, sem rumo...
Seu sonho é passar a aposentadoria pescando no Pará.
Pode ser em um barco moderno e seu...
Ou em uma vara de pescar, sentado na margem do rio...
As escolhas que fizer daqui por diante na vida é que definirão a qualidade de vida que terá e dará à sua família...
Pense bem, Jobson...
Um dia o destino vai cansar de você...
Honre o sofrimento de dona Lourdes...

Texto de Cosme Rímoli http://is.gd/kRj7pS

Um comentário:

  1. Muito bom o texto !!

    Acho que é o melhor falando sobre o jogador-problema...

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